(: Mulekka :)


Domingo , 21 de Agosto


tá combinado

Então tá combinado, é quase nada
        
É tudo somente sexo e amizade.
  
Não tem nenhum engano nem mistério.
    
É tudo só brincadeira e verdade.
          
Podemos ver o mundo juntos,

Sermos dois e sermos muitos,

Nos sabermos sós sem estarmos sós.
 
Abrirmos a cabeça
                        
Para que afinal floresça
                    
O mais que humano em nós.
 
Então tá combinado  tá tudo dito e é tão bonito

E eu acredito num claro futuro
 
de música, ternura e aventura
        
Pro equilibrista em cima do muro.

Mas e se o amor pra nós chegar,

De nós, de algum lugar

Com todo o seu tenebroso esplendor?

Mas e se o amor já está,

se há muito tempo que chegou
            
E só nos enganou?
 
Então não fale nada, apague a estrada
   
Que seu caminhar já desenhou
  
Porque toda razão, toda palavra
        
Vale nada quando chega o amor...


___________________________________________________________________

Escrito por Gillmonteiro às 22h34
[ ] [ envie esta mensagem ]

Domingo , 14 de Agosto


A MORTE DO AMOR

Todos os dias morre um amor.
Quase nunca percebemos, mas todos os dias morre um amor.

Às vezes de forma lenta e gradativa, quase indolor,
após anos e anos de rotina.

Às vezes melodramaticamente, como nas piores novelas
mexicanas,
com direito a bate-bocas vexaminosos, capazes de
acordar o mais surdo dos vizinhos.

Pode morrer em uma cama de motel ou simplesmente em
frente à televisão de domingo.
Morre sem um beijo antes de dormir, sem mãos dadas, sem
olhares compreensivos,
com um gosto salgado de lágrima nos lábios.

Morre depois de telefonemas cada vez mais espaçados,
diálogos cada vez mais e sumidos,
de beijos cada vez mais gelados...

Morre da mais completa e letal inanição!!!
Todos os dias morre um amor, embora nós, românticos
mais na teoria do que na prática, relutemos em admitir.
Pode morrer como uma explosão, seguida de um suspiro
profundo
(porque nada é mais dolorido que a constatação de um
(fracasso), de saber que, mais uma vez, um amor morreu.

Porque, por mais que não queiramos aprender, a vida
sempre nos ensina alguma coisa.
Esta é a lição: qualquer amor pode morrer! E todos os
dias, em algum lugar do mundo,
existe um amor sendo assassinado.

Como pista do terrível crime, surge uma sacola de
presentes devolvidos, uma lista de palavrões sem
censura, ou o barulho
insuportável do relógio depois da discussão...
Afinal, todo crime deixa as suas evidências!

Todos nós podemos ser um assassino.
E podemos agir como age um assassino:
podemos nos esconder debaixo das cobertas, podemos nos
refugiar em salas de cinema vazias, ou preferir
trabalhar que
nem um louco, ou viajar para "espairecer", ou confessar
a culpa em
altos brados, fazendo do garçom o confidente...

Existem também os amores que clamam por um tiro de
misericórdia:
ainda estão juntos, mas se comportam como um cavalo
ferido, esperando ser sacrificado.

Existem também os amores-fantasma, aqueles que se
recusam a admitir que já morreram.
São capazes de perdurar anos, como mortos-vivos sobre a
Terra, teimando em resistir apesar das camas separadas,
dos beijos frios e burocráticos, do sexo sem tesão (se
houver).
Esses não querem ser sacrificados, mas irão definhar
aos poucos...

Existem ainda os amores-vegetais, aqueles que vivem em
permanente estado de letargia,
que se refugiam em fantasias platônicas, recordando até
o fim de seus dias o sorriso da ruivinha da 4a.série.
Ou se faz presente na fã que até hoje suspira e delira
em frente a um pôster do Elvis Presley.

Mas eu, quase já desistindo da minha busca, pude ainda
encontrar uma outra classificação: os amores-vencedores.
Aqueles que, apesar da luta diária pela sobrevivência,
das infinitas contas a pagar, da paixão que decresce
com o decorrer dos anos,
da mesa-redonda no final de domingo, das calcinhas
penduradas no chuveiro e das brigas que não levam a
nada, ressuscitam das cinzas e se revelam fortes,
pacientes e esperançosos.

Mas esses são raríssimos, e há quem duvide de sua
existência.
São de uma beleza tão pura e rara que parecem lendas.

Um dia vou colocar um anúncio, bem espalhafatoso, no
jornal:
PROCURA-SE UM AMOR VENCEDOR
- oferece-se generosa recompensa.

Mas, no fundo, sei que ele não surgiria como por
acaso...

O que esses poucos vencedores falam é que esse amor foi
suado, trabalhado, bem administrado nas centenas de
situações do cotidiano.
Não é um presente de loteria, de sorte, nem de magia.

É simplesmente o resultado concreto, daquilo que foi um
relacionamento maduro e crescente entre duas pessoas.
  (desconheço a autoria)

________________________________________________________________

Escrito por Gillmonteiro às 11h50
[ ] [ envie esta mensagem ]
Busca na Web:

Perfil

Meu perfil
BRASIL, Nordeste, IRECE, Boa vista, Mulher, de 26 a 35 anos, Portuguese
MSN -